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sábado, 20 de agosto de 2016

Lua Púrpura - Prólogo

Oi pessoal, vai aqui só uma palhinha do que promete ser LUA PÚRPURA



Inverno de 1930

Os fiordes à sua frente lhes contavam histórias antigas e por vezes, arrepiantes.
Ela ficava horas olhando os pingos da chuva que rabiscavam sua vidraça, desenhando arabescos que mais pareciam faces retorcidas pelo medo.
Havia acordado de mais um de seus pesadelos, e este parecia tão real quanto a tempestade que pairava do lado de fora.

A boca estava seca, o coração retumbava na garganta. Suas mãos suavam frio, enquanto seus olhos atordoados fixavam morada no velho cabide ao lado da janela onde dormia, sem culpa, seu vestido de noiva.

Agatha sorria, escancarando o pavor daquele momento único e miserável que fez de sua vida um labirinto escuro e sem saída.

Com uma das mãos no peito e a outra tateando a ponta da cama

 a moça sentou, enquanto um relâmpago fez estremecer todo seu corpo, mas mesmo assim ela conseguiu aproximar o castiçal  da gaveta de seu criado mudo, retirando  um retrato. Olhou com ternura deslizando os dedos pelo rosto da pessoa... No entanto logo sua face ficou lívida e retorcida quando se deparou com a jóia que usara no dia do seu casamento, e cheia de horror perdeu-se no tempo e espaço dentro daquele quarto esquecido, que era abraçado pela mansão de seu falecido marido.


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